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Proposta para uma Internacional Socialista Participativa


 

Como muita gente no Brasil não se sente a vontade lendo em inglês ou espanhol, tentei uma tradução rápida do texto da Proposta, que pode ser encontrado em

 http://www.zcomm.org/newinternational.htm

 

This is a quick portuguese translation of the original text of the Proposal for a Participatory Socialist International.

 

 

Proposta para uma Internacional Socialista Participativa


Nós, abaixo assinados, apoiamos a idéia de uma nova Internacional e desejamos que sua criação inclua a avaliação, o refinamento, a ampliação e a subsequente implementação dos pontos a seguir que, após deliberação dos próprios participantes da Internacional, tenham sido consensualmente selecionados:

1. Uma nova Internacional deve ter como preocupações principais, pelo menos:

  • produção econômica, consumo e alocação de recursos, incluindo relações de classe,
  • relações familiares, socialização, manutenção do lar e procriação, incluindo questões de gênero, sexualidade e idade,
  • relações culturais comunitárias, incluindo raça, nacionalidade e religião,
  • política, incluindo relacionamento com a lei e legislação,
  • relações internacionais incluindo assuntos de ajuda mútua, intercâmbio e imigração,
  • ecologia, incluindo relacionamento com o ambiente natural e outras espécies.

A nova Internacional deve abordar essas preocupações sem dar mais importância a nenhuma delas em detrimento das outras, já que (a) todas vão afetar de forma crucial o caráter de um novo mundo, (b) se qualquer uma delas não for abordada pode subverter os esforços na direção de um novo mundo e (c) os grupos de pessoas mais atingidos pelos pontos que fossem colocados em segundo plano seriam fortemente alienados da luta.

2. Nossa visão de um futuro Socialista Participativo deve incluir, pelo menos, os seguintes pontos:

  • produção econômica, consumo e alocação de recursos devem ocorrer numa sociedade sem classes – isso inclui acesso igualitário para todos a educação, assistência médica, alimentação, água, saneamento e moradia de qualidade; trabalho digno e significativo, bem como instrumentos e condições para realização pessoal.
  • Que as relações de afinidade, gênero, sexuais e familiares não privilegiem nenhum grupo por idade, preferência sexual ou gênero. Isso inclui o fim de todas as formas de opressão da mulher e a disponibilização de creches, recreação, assistência a saúde, etc.
  • Relações comunitárias e culturais entre raças, grupos étnicos, religiões e outras comunidades culturais devem proteger os direitos e a identidade de cada comunidade e, ao mesmo tempo, respeitar os direitos e identidades de todas as outras comunidades. Isso inclui o fim de estruturas racistas, etnocêntricas e preconceituosas, bem como a proteção dos direitos das pessoas nativas.
  • O processo de decisão política, arbitragem de disputas e implementação de programas compartilhados devem transferir o poder para a população de forma a não elevar nenhum grupamento ou setor da sociedade acima dos outros. Isso inclui participação política de todos e justiça para todos.
  • Comércio internacional, comunicação e outras interações devem visar paz e justiça, e ao mesmo tempo apagar todos os vestígios de colonialismo e imperialismo. Isso inclui o cancelamento das dívidas das nações do terceiro mundo e a reconstrução das normas e relações internacionais em direção a uma comunidade igualitária e justa de nações igualmente capazes.
  • As escolhas ecológicas devem ser não apenas sustentáveis, mas devem ter uma preocupação com o ambiente em concordância com nossas mais elevadas aspirações para nós mesmos e para o mundo, incluindo justiça climática e inovação energética.

3. Os valores e princípios que devem nortear as deliberações estratégicas e programáticas internas de uma nova Internacional devem destacar, no mínimo, os valores listados abaixo. Isso inclui a implementação de quaisquer etapas estruturais que se mostrem essenciais para incorporar organicamente, tão bem quanto for possível, esses valores já no presente.

  • Solidariedade, para ajudar a alinhar mundialmente movimentos e projetos em prol de ajuda mútua e benefícios coletivos.
  • Diversidade, para estimular inovação criativa, respeitar discordâncias e reconhecer que visões minoritárias que podem parecer excêntricas hoje podem levar a consequências brilhantes no futuro.
  • Igualdade, para atingir uma distribuição justa de riquezas e rendas.
  • Paz com justiça, para que se consiga igualdade entre nações plenamente realizadas.
  • Sustentabilidade e sabedoria ecológicas, para garantir a sobrevivência da humanidade.
  • “Democracia” ou, talvez, o conceito mais inspirador de “poder popular”, “democracia participativa” ou “auto-gestão”, para promover participação e influência de todos igualmente.

4. Que a nova Internacional seja a resultante mais ampla possível de todas as suas componentes. Isso significa que deve-se rejeitar a possibilidade de que ela se restrinja a uma única linha de pensamento, com a pretenção de capturar todas as visões em um único padrão restrito. Para esse fim a nova Internacional deve:

  • Incluir e promover “correntes” que sirvam como veículos para visões em disputa, ajudar a evitar o sectarismo e auxiliar no crescimento constante.
  • Estabelecer que cada corrente deve respeitar as intenções das outras correntes, supor que as discordâncias sobre políticas estão relacionadas aos conteúdos e não aos motivos, e buscar o debate substantivo como uma componente séria do projeto como um todo.
  • Proporcionar os meios para que cada corrente se una abertamente a todas as outras correntes para buscar avanços e inovações estratégicas e programáticas.
  • Garantir que, enquanto qualquer das correntes aceite os princípios básicos da Internacional e opere de acordo com suas normas e métodos, suas posições minoritárias terão espaço não apenas no debate mas, caso sejam derrotadas, que possam continuar o desenvolvimento de suas idéias para estabelecer seus méritos ou descobrir suas falhas.

5. Os membros da nova Internacional devem ser partidos políticos, movimentos, organizações ou até mesmo projetos, de forma que

  • membros, empregados, funcionários, etc., de cada organização que seja filiada à nova Internacional ganham, por sua vez, filiação à Internacional.
  • Indivíduos que queiram se filiar à Internacional mas não são membros de nenhum grupo organizado devem se juntar a algum grupo ou organização.
  • Cada grupo filiado à Internacional pode ter sua própria agenda para suas operações independentes, de forma inviolável.
  • Ao mesmo tempo, cada grupo filiado à Internacional será fortemente pressionado a adequar suas operações para que sejam consistentes com as normas, práticas e agendas da Internacional, estabelecendo solidariedade mas também autonomia.
  • Os grupos filiados à Internacional terão, em princípio, uma variedade grande de tamanhos. Entretanto, como as decisões da Internacional não implicam em outro compromisso dos grupos que não a agenda coletiva da Internacional, uma boa processo decisório seria discussão séria, seguida de consultas a todos os membros da Internacional para avaliar as tendências, seguidas de refinamentos das propostas buscando apoio mais amplo e dando oportunidade aos descontentes de expor suas idéias, culminando em votação final com participação de todos os membros.

6. As escolhas programáticas da nova Internacional vão depender do contexto e serão produtos dos desejos dos membros, mas os pontos a seguir são bons exemplos:

  • Uma nova Internacional pode convocar eventos mundiais e dias de protesto, campanhas de apoio a lutas de organizações filiadas e apoio a organizações filiadas contra repressão. Também é importante promover debates e campanhas para promover entendimento e conhecimento mútuo.
  • Num tom mais ambicioso, a nova Internacional pode promover campanhas internacionais em larga escala para chamar a atenção para assuntos como imigração, fim de guerras, diminuição da jornada semanal de trabalho mundial, e/ou medidas para evitar catástrofe climática, entre outras possibilidades. Pode preparar material, promover educação, ações, boicotes, apoiar iniciativas locais, etc.
  • O programa geral e o grau de participação deve ser decidido pelas organizações filiadas, mas deve haver motivação coletiva suficiente para que cada organização participe e contribua da melhor maneira possível nas campanhas e projetos coletivos. É claro que um motivo para a existência da Internacional é ajudar organizações, movimentos e projetos pelo mundo a escapar a solidão de se dedicar a um único assunto, através da participação em um processo mais amplo que abrange diversos focos e da possibilidade de unir-se a outros filiados para implementar iniciativas compartilhadas.

 

 

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